quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

E no meio de tanta gente, eu encontrei você!

"E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, Você veio. E eu que pensava que não ia me apaixonar.(...)"




E no meio de tanta gente, eu encontrei você!  (Por Juliana Andreotti de Barros - fevereiro/2016)


Era segunda-feira de manhã. O sol - ainda tímido - aquecia a pele nua e rosada da bochecha, dava brilho celestial ao par de olhos castanho-jabuticaba, alçava fogo no escarlate dos lábios que permaneciam semiabertos.

Um quadro cinzento. Desenhado com pinceladas de fumaça de escapamento de caminhões. Buzinas ensurdecedoras de um mundo apressado. Centenas de pessoas se trombando em maratona por um dia a menos de vida. O bebê chorando no colo da mãe. O vendedor ambulante. O passarinho caído na guia da calçada. O botão de Maria-sem-vergonha apontando um início de vida finita. O telefone tocando. O bloco de tarefas. O documento para entregar. O murmurinho da voz de uma inimizade. A porta batendo. Crianças gritando. O pedinte mendigando um pedaço de pão. O bom dia ‘quase que sussurrado’. O barulho do teclado do computador. O sinal de alerta. O ir-e-vir que não chega a lugar nenhum... Em meio ao cinza todo, um feixe de sol - ainda tímido - de segunda-feira de manhã, iluminando aquela mexa de cabelo que ficou despenteada... Um quadro divino!

Eu apenas admirava. Incapaz de reproduzir em palavras aquilo que o coração explodia em emoção.
Qual será a história dessa pessoa? Quantos amores ela teve? Qual a cor da sua alma? Quais segredos ela esconde? Será que ela canta? Será que dança? Será que gosta de amora? Quanto tempo leva para eu conhece-la? Qual o sabor do seu beijo quando acorda? Aposto que ela sabe que é incrível... (Será)? Quanto tempo estou parada admirando ela? Vou falar com ela? Quero conhece-la!

Neste momento o trem das Sete chegou. A multidão frenética voltou minha atenção para o feixe de sol que ofuscava meus olhos castanho-jabuticaba. Arrumei a mexa de cabelo que estava despenteada. Guardei cuidadosamente o espelho que eu segurava avoada durante minutos, e finalmente conferi se o batom vermelho estava sem nenhum borrão!  Entrei no trem e segui rumo, aliviada por ter encontrado, uma vez mais, meu Eu, que tantas vezes se perde no cotidiano e nas (faltas de!) atitudes alheias...

Nota da autora: Algumas vezes estamos tão focados em encontrar outras pessoas, que acabamos nos perdendo de nós mesmos. Esquecemos nosso poder. Nossa unicidade. Nosso bastar-se de si mesmo. Perca-se quantas vezes for necessário, mas corra se encontrar todas as vezes que for preciso. No meio de tanta gente nesse mundo existe uma pessoinha absolutamente especial e que te fará imensamente feliz: você! Lute por você. Apaixone-se por você. Faça planos por você. Encontre você no meio de tanta gente, e finalmente outras pessoas começarão a te encontrar também!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Procura-se um amor sem aplicativos no celular

Procura-se um amor sem aplicativos no celular - um texto por Juliana Andreotti de Barros

Após o famigerado texto (orgulho da mãezinha aqui!!!) “Procura-se um amor com barriga de cerveja”, eis uma vã tentativa de espalhar o meu ponto de vista sobre os relacionamentos ultra-modernos (termo o qual, com certeza, já deve ter caído em desuso nos dias atuais).

Esses dias eu estava na balada com algumas amigas, quando surgiu o assunto “olha o carinha que eu conheci no... Pof!!!”. Por um momento me assustei, achando que alguém havia levado um tombo. Mas depois de muito olhar para baixo e não ver ninguém esborrachado no chão, percebi que as demais meninas ao meu redor estavam com os olhos colados na telinha vibrante de um celular.

Pof! Mas não era Tinder? Mas eu só uso o facebook. Peraí.. tem aplicativo para paquerar??

Podem me chamar do que quiser: ultrapassada, falsa moralista, antiquada, old school, ou o que for. Mas eu jamais vou me submeter a um aplicativo apelativo à relacionamentos de, na maioria dos casos, um encontro só! Por outro lado o “sair e, de repente, conhecer uma pessoa legal” está ficando cada vez menos possível, visto que nos lugares pré-definidos para socialização e “paquera” (outro termo, na certa, metade das pessoas que estão lendo esse texto não saberão o que significa), as pessoas não desgrudam mais os olhos de seus RESPECTIVOS celulares. De repente o amor da sua vida está ali, bem a sua frente, mas os seus olhos e os dele estão focados aonde o incrível brilho do celular está.

Acho que esse é um dos grandes dilemas da solteirice moderna. Encontrar alguém já não era simples no passado, onde não existiam celulares, tampouco chamariscos aplicativos de relacionamentos, e a interação ficava por conta da troca de olhares em lados opostos da balada, e com sorte uma mensagem escrita em guardanapo (geralmente sujo com óleo de salgadinho) no final.

Hoje em dia o buraco está muito mais fundo. Se você tem a sorte de conseguir uma interação pessoal em carne-e-osso com a pessoa desejada no recinto da balada, ainda há o dilema de “em quantos aplicativos de ‘paquera’ esse cara está”, somado ao fato de que você não se encontra em nenhum deles, multiplicado pelo fato de que você não tem mais idade tampouco paciência para ficar flertando cara-a-cara, quanto menos “tela-a-tela”. 
Era tão mais fácil a minha adolescência: você gostava de uma pessoa. Sua melhor amiga ia conversar com o melhor amigo dessa pessoa. E um belo dia vocês se encontravam e trocavam beijos de adolescentes, e no final das contas ninguém precisava excluir ou bloquear ninguém de aplicativo algum.

A busca de um relacionamento nos dias atuais é demasiadamente cansativa. E eu, particularmente, já não tenho mais paciência ou saco para certas formalidades. Se atualizar o status do meu facebook já está ocupando um tempo precioso das minhas horas, imagina ter que lidar com Pof’s, Tinder’s, Badoo’s, Date Me’s, Flert’s (eu fiz uma busca no google! Rs) e afins para ter a mínima chance de um encontro desastroso e desgostoso num final de semana? Ah, eu prefiro mesmo é ficar em casa e encher minha barriga com comédia barata, e saturar meu coração com óleo de pipoca de micro-ondas.

O novo ideal de homem nos tempos modernos não é o príncipe montado no cavalo branco, não! Nem o cordeiro em pele de cafajeste. O desafio está em encontrar pessoas que se relacionam pele-a-pele. Boca-a-boca. Olhos-nos-olhos. Face-to-face...book? Não. Para um novo amor, um velho celular, por favor!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Escorpiana – uma alma sem reservas (Poesia)

Vinícius de Moraes. Ah, meu poetinha adorado... Até VOCÊ tentou d-escrever a mulher escorpiana, em seu verso lindamente perspicaz. Mas apenas uma alma escorpiana entende outra alma escorpiana. Assim sendo, atrevo-me a cantar.


Escorpiana – uma alma sem reservas (Poesia) - Por Ana Mohan (julho de 2015)

"Ela é compaixão
Ela é desejo
Ela é veneno
Ela é amor que tem medo de amar

Ela é aflição
Ela é inteiro
Ela é metade cheio
Ela é pavor que não quer se apavorar

Ela é hora do recreio em dia de escola
Ela é hora do almoço em dia de trabalho
Ela é o happy hour em dia de reunião
Ela é a hora certa em ponteiros tortos
Em relógios quebrados que temem contra o tempo
-E a solidão!-

Ela é pecado florescido em campo de lírios
Ela é embriaguez despertada em água cristalina
Ela é inspiração denegrida em versos sob a luz de tirania
Ela é desconhecido profundo, que corrói a inocência 

-Ela é a hora certa que não quer se apavorar!-
-Ela é ponteiro torto que tem medo de amar!-
-Ela é metade cheio!-
Ela é uma alma sem reservas"

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Solstício em Mi sustenido (Poesia)

Nota da autora: Nova poesia. Velho amor. Nova história.... Velha poesia. Novo amor. Velha história....

Solstício em Mi sustenido - Poesia por Juli Ana Mohan (julho de 2015)

"[Ele apareceu como uma promessa de um amanhã]
Eu andava distraída
Vagueando pelas ruas meu coração fragmentado, póstumo
Dilacerando sentimentos que não deviam, jamais, ter florescido
[Ele me ofereceu uma mão a uma alma que tinha sede de solidão]
Como uma promessa de um amanhã!

Os olhos carregavam desejo e tristeza
A boca sangrava volúpia 
As mãos transpiravam urgência
O corpo ardia em meu corpo
A alma transviava a minha alma
[Ele me ofereceu pecado, e transbordou a minha calma!]

Eu andava distraída
Mendigando migalhas de fé que alimentassem meu espírito pecaminoso
[Ele apareceu como uma promessa de um amanhã]
E me ofereceu a sua mão
[Como uma promessa de um amanhã]
E me ofereceu pecado
[Como uma promessa de um amanhã]
E transbordou a minha alma
[Que tinha sede de solidão]"

quarta-feira, 4 de março de 2015

Semente de Anjo

Semente de Anjo - por Juliana Andreotti de Barros (Março/2015)

Em memória de minha sobrinha Helena Maria Canale Barros (14/04/2014 - 15/04/2014)

"O sol raiou
E seu espírito elevou
Um anjo subiu aos céus
Carregando em alma o coração de Helena

Soprou como uma brisa fresca de verão
Que traz paz para a pele, quando chega ao coração
Que leva angústia na sede, quando o amor nos consome

Pequenina dos olhos castanhos-jambo
Das bochechas rosadas
Do cabelo negro, fino,
Com cheirinho de amanhecer de domingo

Deus te quis
-Mais que a todos nós-
Em tua alma pura e serena
Que o mundo poderia vir a corromper

Deus te fez anjo
Deus te fez guardiã
Deus te fez menina
Deus te fez mártir
Em abdicação por um mundo que tem fome de amor

E a nós restou a saudade de teu sopro de vida humana
E a nós ficará a eternidade dos milagres que tua semente instituiu

Helena Maria
-Pequena menina guerreira-
Meu anjo nascido em terra
Nosso pedaço de eternidade em céu

Volte logo, minha pequena
Pois meu coração pesaroso aquece com tua proteção em Deus
Te vejo em breve, minha menina
Porque a nós jamais caberá nenhum adeus..."

Em memória de minha sobrinha Helena Maria Canale Barros (14/04/2014 - 15/04/2014)
"O sopro de vida mais grandioso em meu mundo medíocre"

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A geração de mulheres "Sou pra casar" no banco de reservas cativo do relacionamento moderno

Um texto por Juli Ana Mohan (Dezembro de 2014)

“VOCÊ é mulher pra casar!!!!!!!!!!”


Quantas vezes VOCÊ já ouviu isso na vida? Eu mesma ouço quase todo sábado em alguma mesa de boteco, seguida pela expressão “Eu sou diferente de todos os outros homens que você conhece”. Ah, o delusório conto-de-fadas moderno, intensificado pela falta de memória precoce – estimulada pela malbendita cachaça – que faz toda mulher suspirar e voltar a fortalecer aquele fio bem fininho de esperança “dessa vez vai ser diferente!”.

Você tem beleza. Você tem um emprego bom. Você tem um sorriso sincero. Você tem bom humor. Você tem amigos para se desprender do apego de um macho alfa. Você tem estilo. Você tem família. Você tem casa própria. Você tem apreço pelo próximo. Você tem carinho pelos animais. Você ama e cuida da natureza. Então por que você ainda está solteira? “VOCÊ SÓ NÃO TEM BOM GOSTO PARA HOMENS, CARA COLEGA!” Vamos ser realistas: a verdade é ESTA!

Amigas e mais amigas socorrem à minha pessoa procurando respostas para a falta de homens decentes no mercado. Homens que sabem o que querem. Homens, na verdade, que queiram alguma coisa... qualquer coisa! Talvez por eu possuir um histórico de uma vasta gama em termos de relacionamentos, muitas se confundem acreditando que eu tenho a resposta para esse bicho de sete cabeças...Agora me respondam, colegas! Se eu tivesse a resposta pra pergunta mais cabeluda do século, por que raios eu ainda estaria solteira??

A verdade é que eu tenho ciência do meu estado perpétuo de solteirice....e ele se chama, em termos gerais, “a síndrome do dedo podre com alta preferência para homens que não prestam”! Mas deixemos a minha pessoa de lado (eu planto cafajestes, eu colho cafajestes!). E quanto a você, cara colega, mulher pra casar, que monta assento perpétuo no banco vizinho ao lado do meu...por que ainda está solteira? É tempo de olhar pro espelho bem a frente do nosso nariz e perguntar-se se estamos fazendo as escolhas certas. Se estamos nos permitindo às pessoas certas. Se estamos abrindo espaço em nosso coração para deixar entrar as pessoas certas.

O meu coração já virou a casa da mãe Joana. Foi um entra-e-sai tão absurdamente violento que nos dias de hoje ele já nem sabe mais o que está entrando, o que está lá dentro e o que já saiu. Mas para as demais mulheres que possuem um coração imaculado, o grande segredo é saber quem você vai deixar entrar, e quem você vai permitir ficar. Quem vai cuidar para que em seu coração jamais entre um outro alguém. Quem vai vigiar os muros e muralhas que guardam o maior tesouro: o amor!

Como mulher mimimi eu ainda não perdi as esperanças de um amor cansado, caolho, levemente corcunda e com indícios de estrabismo. Como poeta boêmia, cada retalho remendado em meu coração é o convite ao exagero camoniano da minha poesia. Como ser humano, cada amiga que chora ao meu ombro pela dor de um “ex-romance” findado é sinônimo de “vamos sair pra beber, esquecer aquele idiota e conhecer novos idiotas!”.

Homens decentes mundo afora existem, sim! Aos montes? Seria hipocrisia de minha parte falar que não há nenhum modelo compatível, fiel e apresentável nesse planeta habitado por bilhões de pessoazinhas...Talvez as escolhas tenham que mudar. Talvez o desafio seja mudar o padrão “malandro/cafajeste/sem-vergonha/ mas-com-aquele-beijo-maravilhoso-e-aquela-pegada-transcendental” por um modelo mais confiável, seguro, não tão “me leva às alturas”, e que saiba cuidar do nosso coração (por que, cá entre nós, eu já desisti dessa tarefa impossível!)....

Tudo é uma questão de trocar o duvidoso pelo certo. O "com muita graça" pelo "talvez sem nenhuma graça". O "meu Deus do céu, o que foi isso?" pelo "Meu Deus do céu, só isso?"... Mas, no fim das contas, tudo é uma questão de trocar "uma vida vazia com picos de momentos explosivos" por "uma vida completa com a serenidade de um amor tranquilo".  Diz ai, quem é que troca?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Eu, protagonista de mim

Poesia, poesia, poesia. POESIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Por Ana Mohan - a poeta que está dando piruetas de felicidade pela poesia vivida e, principalmente, decifrada em palavras por Juliana Andreotti de Barros


'Procura-se um amor que goste de poetas' (a autora)

Eu, protagonista de mim (Dezembro de 2014)

Talvez essa seja a fatalidade dos poetas
Amar ao extremo
Sofrer ao extremo
Escrever para curar a dor

Talvez a alma gêmea dos poetas seja a própria poesia
E o amor que carregam junto a ela
E o respeito que carregam junto a ela
E o final da página em branco que é a esperança do “pra vida inteira”

Talvez o poeta nasceu para viver sozinho no hoje
Na morte constante do ontem
No desejo ressuscitar o amanhã

Talvez o poeta seja um mártir
Na boemia de consagração de seus versos
Em pudor de sua própria fé, mundana
Em sacrifício de um coração remendado por amores sem finais da página em branco

Talvez eu seja, por fim, poeta por inteiro
Na morte constante do ontem
Na boemia de consagração de meus versos
Em sacrifício de um coração remendado
Por uma poesia que é a realidade do “pra vida inteira”