terça-feira, 12 de abril de 2016

Devaneio

A demora do fretado pode ser inspiradora! Devaneio de 5 minutos que resultou em poesia pra vida toda!

Sem título, segue poesia por Juliana Andreotti de Barros (abril de 2016) - todos os direitos de publicação reservados à autora

"Tô com vontade de ter alguém pra poder ligar no fim da tarde
E perguntar "como foi seu dia?"
Pra poder abraçar de noite
E dormir de conchinha na madrugada

To com vontade de último primeiro beijo
E incontáveis segundos beijos
E sensação de toque na pele
Que faz a gente se sentir em casa

Tô com vontade de romantismo bobo
De casalzinho recém-casado
Pra todo o resto das nossas vidas

Tô com vontade de fazer manha pra ganhar colo
De fazer bico pra ganhar cafuné
De fazer briguinha pra ganhar amor

Tô com vontade de rasgar coração
Me alimentar de olhar seu
Matar a sede com o gosto da tua boca

Tô com vontade de gritar pras paredes
O que o mundo não é capaz de ouvir
O que o ser humano não é capaz de discernir

Morro de vontade. . Acho que já morri!"

O primeiro último à-Deus (poesia)

O primeiro último à-Deus - Por Ana Mohan (fevereiro de 2016)

"O som do coração tic-taqueia, ensurdecedor
Não se trata do vazio que tua presença deixou
Mas do inteiro que tua ausência deixará de preencher

Eu não teria feito diferente, eu teria feito melhor! O melhor último beijo. O mais demorado último abraço. Eu teria prolongado a última noite de amor por dias, até que seu corpo desfalecesse sobre o meu em agonia de puro prazer. Eu não teria parado...
Eu teria elogiado mais o seu sorriso, que me despe a alma.
Eu passaria horas olhando teu olhar por mim, que me rasga a cólera.
Eu teria acariciado cada vértice do seu colo.
Eu beijaria cada célula da sua boca.
Eu teria dilacerado, uma vez mais, cada aorta de meu coração por um último gozo de primeiro adeus.

Eu não teria feito diferente, eu teria feito menos! Menos brigas. Menos lágrimas. Menos sofrimento. Menos pé no chão. Menos implicâncias. Menos saudade. Menos horas dormidas...

Eu não teria feito diferente, eu teria feito mais! Mais brigas, para mais reconciliação. Mais lágrimas de felicidade. Mais sofrimento no cume do ápice do prazer. Mais pé no chão, descalços sobre a grama. Mais implicâncias por suas coisas bobas que, no fundam, me encantavam. Mais saudade para matarmos juntos. Mais horas dormidas, em conchinha com você...

O som do coração tic-taqueia, enlouquecedor
Não se trata da presença que teu vazio deixou
Mas da ausência que teu inteiro deixará de preencher"

quarta-feira, 23 de março de 2016

Poética (poesia)

Poética
Por Juliana Andreotti de Barros (março/2016)


"Meu coração é pássaro
-Voa e voa e voa!-
Avoado entre ninhos de corações inóspitos
-Querendo pousar!-
Repousando sobre o dorso de um berço construído com espinhos



Minha alma é pena
-Leve quando presa
Solta quando parasita!-
Doente na loucura que é ser sanidade
Sadia na lucidez que é morrer na saudade



Minha prosa é poesia
-Em versos rascunhados no ofício da vida!-
Em letras que não rimam
Em junções que não encaixam
Em estrofes que choram
Em versículos que desfalecem
Em ninhos que não repousam
-Em pássaros assombrados pelo medo de voar!"

sexta-feira, 11 de março de 2016

Apenas palavras oprimidas gritadas à rede

Não é poesia. Tampouco dissertação. Longe de ser carta. É doença, Crônica! (A autora)

"Vai, menina. Enche o peito e rasgue a coragem.
[O mundo é de quem faz!]

Perdeu as rédeas da vida? Aprenda a cavalgar pelo instinto.
Quebrou a cara? Aprenda a recolher os pedaços e a recomeçar.
Machucou a alma? Tenha a certeza que a dor de quem se permite é mais gratificante que a ausência de quem se omite.
Dilacerou o coração? Faça-o mais duas, três vezes, quatro vezes. Quantas for preciso.
Oprimiu os sentimentos? Grite aos ventos o âmago que existe em você.
[O mundo é de quem chora!]

Escreva palavras de amor, e não se prenda a rimas.
Ouça músicas bregas, e não se apague a censuras.
Dance desengonçada, e não se atente a quem te assiste.
[O mundo é de quem move!]

Abrace com todos os músculos.
Beije com todos os nervos.
Faça amor com todos os ossos.
Seja amor com toda a alma.

Vai, menina. Rasgue o peito e encha a coragem.
[O mundo é agora!]"

Por Juliana Andreotti de Barros (Março/2016). Sem título e sem especificações. Apenas palavras oprimidas gritadas à rede.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

E no meio de tanta gente, eu encontrei você!

"E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, Você veio. E eu que pensava que não ia me apaixonar.(...)"




E no meio de tanta gente, eu encontrei você!  (Por Juliana Andreotti de Barros - fevereiro/2016)


Era segunda-feira de manhã. O sol - ainda tímido - aquecia a pele nua e rosada da bochecha, dava brilho celestial ao par de olhos castanho-jabuticaba, alçava fogo no escarlate dos lábios que permaneciam semiabertos.

Um quadro cinzento. Desenhado com pinceladas de fumaça de escapamento de caminhões. Buzinas ensurdecedoras de um mundo apressado. Centenas de pessoas se trombando em maratona por um dia a menos de vida. O bebê chorando no colo da mãe. O vendedor ambulante. O passarinho caído na guia da calçada. O botão de Maria-sem-vergonha apontando um início de vida finita. O telefone tocando. O bloco de tarefas. O documento para entregar. O murmurinho da voz de uma inimizade. A porta batendo. Crianças gritando. O pedinte mendigando um pedaço de pão. O bom dia ‘quase que sussurrado’. O barulho do teclado do computador. O sinal de alerta. O ir-e-vir que não chega a lugar nenhum... Em meio ao cinza todo, um feixe de sol - ainda tímido - de segunda-feira de manhã, iluminando aquela mexa de cabelo que ficou despenteada... Um quadro divino!

Eu apenas admirava. Incapaz de reproduzir em palavras aquilo que o coração explodia em emoção.
Qual será a história dessa pessoa? Quantos amores ela teve? Qual a cor da sua alma? Quais segredos ela esconde? Será que ela canta? Será que dança? Será que gosta de amora? Quanto tempo leva para eu conhece-la? Qual o sabor do seu beijo quando acorda? Aposto que ela sabe que é incrível... (Será)? Quanto tempo estou parada admirando ela? Vou falar com ela? Quero conhece-la!

Neste momento o trem das Sete chegou. A multidão frenética voltou minha atenção para o feixe de sol que ofuscava meus olhos castanho-jabuticaba. Arrumei a mexa de cabelo que estava despenteada. Guardei cuidadosamente o espelho que eu segurava avoada durante minutos, e finalmente conferi se o batom vermelho estava sem nenhum borrão!  Entrei no trem e segui rumo, aliviada por ter encontrado, uma vez mais, meu Eu, que tantas vezes se perde no cotidiano e nas (faltas de!) atitudes alheias...

Nota da autora: Algumas vezes estamos tão focados em encontrar outras pessoas, que acabamos nos perdendo de nós mesmos. Esquecemos nosso poder. Nossa unicidade. Nosso bastar-se de si mesmo. Perca-se quantas vezes for necessário, mas corra se encontrar todas as vezes que for preciso. No meio de tanta gente nesse mundo existe uma pessoinha absolutamente especial e que te fará imensamente feliz: você! Lute por você. Apaixone-se por você. Faça planos por você. Encontre você no meio de tanta gente, e finalmente outras pessoas começarão a te encontrar também!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Procura-se um amor sem aplicativos no celular

Procura-se um amor sem aplicativos no celular - um texto por Juliana Andreotti de Barros

Após o famigerado texto (orgulho da mãezinha aqui!!!) “Procura-se um amor com barriga de cerveja”, eis uma vã tentativa de espalhar o meu ponto de vista sobre os relacionamentos ultra-modernos (termo o qual, com certeza, já deve ter caído em desuso nos dias atuais).

Esses dias eu estava na balada com algumas amigas, quando surgiu o assunto “olha o carinha que eu conheci no... Pof!!!”. Por um momento me assustei, achando que alguém havia levado um tombo. Mas depois de muito olhar para baixo e não ver ninguém esborrachado no chão, percebi que as demais meninas ao meu redor estavam com os olhos colados na telinha vibrante de um celular.

Pof! Mas não era Tinder? Mas eu só uso o facebook. Peraí.. tem aplicativo para paquerar??

Podem me chamar do que quiser: ultrapassada, falsa moralista, antiquada, old school, ou o que for. Mas eu jamais vou me submeter a um aplicativo apelativo à relacionamentos de, na maioria dos casos, um encontro só! Por outro lado o “sair e, de repente, conhecer uma pessoa legal” está ficando cada vez menos possível, visto que nos lugares pré-definidos para socialização e “paquera” (outro termo, na certa, metade das pessoas que estão lendo esse texto não saberão o que significa), as pessoas não desgrudam mais os olhos de seus RESPECTIVOS celulares. De repente o amor da sua vida está ali, bem a sua frente, mas os seus olhos e os dele estão focados aonde o incrível brilho do celular está.

Acho que esse é um dos grandes dilemas da solteirice moderna. Encontrar alguém já não era simples no passado, onde não existiam celulares, tampouco chamariscos aplicativos de relacionamentos, e a interação ficava por conta da troca de olhares em lados opostos da balada, e com sorte uma mensagem escrita em guardanapo (geralmente sujo com óleo de salgadinho) no final.

Hoje em dia o buraco está muito mais fundo. Se você tem a sorte de conseguir uma interação pessoal em carne-e-osso com a pessoa desejada no recinto da balada, ainda há o dilema de “em quantos aplicativos de ‘paquera’ esse cara está”, somado ao fato de que você não se encontra em nenhum deles, multiplicado pelo fato de que você não tem mais idade tampouco paciência para ficar flertando cara-a-cara, quanto menos “tela-a-tela”. 
Era tão mais fácil a minha adolescência: você gostava de uma pessoa. Sua melhor amiga ia conversar com o melhor amigo dessa pessoa. E um belo dia vocês se encontravam e trocavam beijos de adolescentes, e no final das contas ninguém precisava excluir ou bloquear ninguém de aplicativo algum.

A busca de um relacionamento nos dias atuais é demasiadamente cansativa. E eu, particularmente, já não tenho mais paciência ou saco para certas formalidades. Se atualizar o status do meu facebook já está ocupando um tempo precioso das minhas horas, imagina ter que lidar com Pof’s, Tinder’s, Badoo’s, Date Me’s, Flert’s (eu fiz uma busca no google! Rs) e afins para ter a mínima chance de um encontro desastroso e desgostoso num final de semana? Ah, eu prefiro mesmo é ficar em casa e encher minha barriga com comédia barata, e saturar meu coração com óleo de pipoca de micro-ondas.

O novo ideal de homem nos tempos modernos não é o príncipe montado no cavalo branco, não! Nem o cordeiro em pele de cafajeste. O desafio está em encontrar pessoas que se relacionam pele-a-pele. Boca-a-boca. Olhos-nos-olhos. Face-to-face...book? Não. Para um novo amor, um velho celular, por favor!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Escorpiana – uma alma sem reservas (Poesia)

Vinícius de Moraes. Ah, meu poetinha adorado... Até VOCÊ tentou d-escrever a mulher escorpiana, em seu verso lindamente perspicaz. Mas apenas uma alma escorpiana entende outra alma escorpiana. Assim sendo, atrevo-me a cantar.


Escorpiana – uma alma sem reservas (Poesia) - Por Ana Mohan (julho de 2015)

"Ela é compaixão
Ela é desejo
Ela é veneno
Ela é amor que tem medo de amar

Ela é aflição
Ela é inteiro
Ela é metade cheio
Ela é pavor que não quer se apavorar

Ela é hora do recreio em dia de escola
Ela é hora do almoço em dia de trabalho
Ela é o happy hour em dia de reunião
Ela é a hora certa em ponteiros tortos
Em relógios quebrados que temem contra o tempo
-E a solidão!-

Ela é pecado florescido em campo de lírios
Ela é embriaguez despertada em água cristalina
Ela é inspiração denegrida em versos sob a luz de tirania
Ela é desconhecido profundo, que corrói a inocência 

-Ela é a hora certa que não quer se apavorar!-
-Ela é ponteiro torto que tem medo de amar!-
-Ela é metade cheio!-
Ela é uma alma sem reservas"