sexta-feira, 21 de março de 2014

O plebeu encantado

Não é prosa. Tampouco é poesia. Será fantasia? É aquilo que você quiser que seja! Sim... você mesmo, caro e querido leitor! 

O plebeu encantado - por Juliana Andreotti de Barros

(para meu plebeu encantado...)

"Ele não é o príncipe encantado pelo qual você suspirou a adolescência (e início da fase adulta) toda. Mas ele destrói seu fôlego de mulher.
Ele não vai falar que te ama todos os dias. Mas ele vai falar sobre amor.
Ele não te liga pra falar o quanto você é especial pra ele. Mas ele te liga pra contar que está puto com o gerente do banco que não aprovou o aumento do crédito dele.
Ele não vai jogar rosas por onde você passar. Mas ele vai sair de casa a noite pra comprar o sorvete que você teve vontade repentina de comer.
Ele não é romântico. Mas ele sempre falou as verdades para você.
Ele não vai estar presente a todo momento que você quiser. Mas ele vai sair correndo do bar com os amigos quando você disser que está louca pra ficar com ele.
Ele não manda buquê de rosas no seu trabalho. Mas ele te surpreende com um botão de rosas quando você volta pra mesa do bar.
Ele não vai planejar uma viagem romântica para o próximo feriado. Mas ele vai alugar 5 filmes planejando assistir com você.
Ele não diz que você é a mulher mais bonita do universo. Mas os olhos dele brilham quando você sorri para ele.
Ele não vai abrir a porta do carro para você todas as vezes que forem sair. Mas ele vai abrir algumas vezes, o que fará você se sentir a pessoa mais especial do planeta.
Ele não falará o quanto você o faz feliz. Mas ele abrirá um sorriso de tirar o fôlego ao adormecer sob o toque do seu beijo."

...

De príncipes desencantados o mundo já está saturado! De príncipes desencantados EU já estou saturada! "O diferencial nos dias de hoje é encontrar homens reais com a capacidade de viver sentimentos verdadeiros" (a autora).

E que Deus salve os plebeus!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Ode ao Menino do samba

Ode ao Menino do samba - Por Ana Mohan (Março de 2014)

"Ginga de menino manjado
Com samba na ponta dos pés
Com sombra profunda nos olhos que mudam de cor

Menino que tem medo de amar
Que tem medo de sofrer
Que tem medo do amanhã
-E quem não tem?-

Menino que tece desculpas
-Quando ele não se sabe desculpar-
Menino que se prende às próprias feridas
-Cujo enorme receio é poder machucar-
Menino com malícia afiada na língua
-Com razão obstruída que excede o linguajar-

Lindo menino com vislumbre de anjo
Homem temível com olhar de demônio
-Ah, MEU menino, ironicamente nosso!-
Não se sabe o quanto sua loucura retomou o meu regozijo
E os dias ganharam tormenta numa alegria IN concisa
E as horas transbordaram de cor em agonia pela sua espera
E os minutos rasgaram-se em pranto pela despedida de seu último beijo

-Ah, MEU menino, ironicamente nosso!-
Com samba na ponta dos pés
Com razão obstruída que excede o linguajar
Sua tristeza acendeu ganância em meu segredo
-Entrega-me o teu medo
Que eu te concedo o meu amar!-"

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Poesia póstuma para uma poeta obsoleta

Poesia póstuma para uma poeta obsoleta (por Juliana Andreotti de Barros - janeiro de 2014)

Morte,
Enfim chegastes  para carregar essa alma apodrecida aos céus
Abaixo das gramíneas verdes e com perfume de terra fresca
Cavada em sepultura por um coração que desistiu, finalmente, de tentar

Oh, morte!
Vitoriosa no coração medonho dos amantes enfraquecidos
Escolha indolor em uma via de amores angustiados
Soberana e amarga na rendição de miseráveis infiéis apaixonados

Preces sejam elevadas!
-Esta poesia traz o luto de um coração apodrecido-
Enterrem-me em cova vermífuga com perfume sanguinário
Rasguem-me em versos e reversos
E cubram meu leito da eternidade com manto contaminado por amor

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Morte e vida, Poesia!

Morte e vida, Poesia! (Juliana Andreotti de Barros, dezembro de 2013) 


“Meu menino querido 
Quantos erros cabem, ainda, a nós? 
Quantas lágrimas cair-se-ão para alimentar 
Seu calar ensurdecedor 
Seu abraço sufocado? 

Ah, meu menino 
Se soubesses o quanto sangro 
Por não poder te amar 
Por não poder te encantar 
Por não poder te enxergar
Por temor a exaltar com vida 
Esse sentimento que me assassina por dentro? 

Meus dias ganharam cor 
Transbordando na paixão enganosa do teu olhar 
Meus sonhos transfiguraram esperanças 
Nas promessas ocultas
De nada em troca saber esperar

E no silêncio esculpido em meus versos enfadonhos 
-Cantigas de ninar que alimentam seu orgulho soberano- 
Eu te amo, eu te encanto, eu te enxergo 
Eu exalto com morte 
Um sentimento que, covarde, ganha vida.”

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A arte de saber temperar: uma análise des/construtiva do diferencial ‘ser mulher’. (Prólogo)

A arte de saber temperar: uma análise des/construtiva do diferencial ‘ser mulher’. - Prólogo

Cheguei num impasse literário: escrever ou não sobre os esclarecimentos de como um relacionamento pode dar certo através de ideais um tanto machistas - porém indiscutivelmente interessantes - de um experiente ‘mulherengo’ e, no caso, meu atual namorado! (Uó. Rs).

Resumindo o nada óbvio, há alguns dias publiquei em uma rede social um texto de uma jornalista carioca intitulado “Seja a mulher que seu ex vai sentir falta”. Gostei do conteúdo por motivos singulares, e decidi compartilhar com minha gama feminina de amizade virtual (algumas – POUCAS! – efetivamente reais). Por motivos cem por cento óbvios o dito cujo (podemos dar nomes aos bois?) saboreou as palavras do artigo e, como se não bastasse, me emparedou querendo saber os ‘porquês’ e ‘pelos quês’ eu havia gostado e me identificado tanto do texto, et cetera e tal. Desta forma trocamos uma noite de filme e pipoca por uma discussão incrivelmente descontraída e divertida, com pitadas de irritação causadas pela imponência pouco modesta do seu lado mulherengo, confesso! E quem mandou, Juliana, gostar daqueles que tem um pé no lado negro cafajeste da força? Mas esse não é o xis DESTA questão.


Desde já tenho certeza que ele não aprovará esse texto, pois as palavras dele foram bem claras: você só vai fazer parecer bonito e escrever com suas belas palavras exatamente aquilo que eu te falar! Bom... vem briga feia por ai, namorado!

(continua!)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lei do desapego – a nova fórmula para se apaixonar!

Para encerrar os 2.7 com chave de ouro..... ou não!



Lei do desapego – a nova fórmula para se apaixonar! (por Juliana Andreotti de Barros, outubro de 2013)


“To praticando a Lei do Desapego”. “Não sou de ninguém. Eu sou de todo mundo. E todo mundo é meu também”. Beijar na boca, pode! Fazer gostoso, pode! E se apaixonar? Não pode!”.

Estas frases, entre outros versículos musicais manjados, estão bombardeando as timelines dos solteiros de plantão (e dos compromissados de plantão, também!). É um tal de “pega, mas não se apega!”, que eu mesma cheguei a cair nesse conto do vigário: ficar, mas não se apaixonar.

Depois de algum tempo - quando nos encontramos no lado negro da oposição - é inevitável não olhar com outros olhos os dilemas estabelecidos por uma sociedade que não acredita mais no amor. É fácil dizer “vamos beijar, vamos para a cama, mas não vamos nos apaixonar”. Difícil é estabelecer o período quase imperceptível onde você passou a morrer de amores pelo lado rival. 


Há o lado bom do “descompromisso”? Sim, e eu mesma poderia citar vários. Mas os anos de experiência me mostraram que não há desprendimento que pague um abraço apertado, um sorriso estampado nos lábios (ainda mais porque você é o motivo dele!), um beijo apaixonado, uma tarde no parque andando de mãos dadas, um filminho no cinema em pleno sábado a noite.

A Lei do Desapego praticada por Thiago Brava. A liberdade de ser de ninguém pregada pelos Tribalistas. O “Tudo Pode” (mas nada posso!) intitulado por Sertanejeiros. Entre outros (tantos outros!) são ideais passageiros e – EXPERIÊNCIA PRÓPRIA – ridiculamente enganosos. A verdade, diga-se de passagem, é que eu sou uma poeta a favor do “mimimi, embora tenha praticado a ferro e fogo as pregações de Thiago Brava.

O “ser de ninguém” é tão vantajoso quanto um pão sem manteiga. Até certo ponto a gente se engana dizendo que aquele pão murcho e seco está saboroso. Mas quem é que quer tomar café da manhã com pão murcho e sem manteiga pro resto da vida?!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bolinho de chuva!




Um textículo para uma chuvícula! (a autora).

Bolinho de chuva! (por Juliana Andreotti de Barros - setembro de 2013)

Dias de chuva me remetem à infância. 

Que delícia era acordar sob o barulho das gotas de chuva batendo na calha, roçando na grama, escorregando devagarzinho pelo verde-capim do jardim no fundo de casa. E o cheirinho da terra molhada, do barro recém-alimentado, da lama convidativa para servir de palco na propaganda do Omo

Em dias de chuva a gente acordava tarde. Em dias de chuva a gente tomava leite debaixo de cobertor. Em dias de chuva a gente enrolava pra ir pra escola. Em dias de chuva a gente ficava mais carinhoso. Em dias de chuva a gente se protegia. Em dias de chuva a gente aprendia a amar. Em dias de chuva a gente virava gente grande. Em dias de chuva a gente rezava pro Papai do Céu com mais fé. Em dias de chuva a gente vivia com mais intensidade. Em dias de chuva a gente ia comer bolinho de chuva na casa da “vózinha”.

Ser adulto em dia de chuva não tem tanta graça. Com a rara exceção daquele domingo a tarde, chuvoso, que você está bem acompanhado - com direito a pipoca e filme água-com-açúcar - a chuva no mundo dos adultos é sinônimo de desesperança. É sinônimo de tristeza. É sinônimo de blasfêmia.

Em dias de chuva a gente acorda cedo e tem que levantar. Em dias de chuva a gente trabalha. Em dias de chuva a gente se estressa com o trânsito que fica violento. Em dias de chuva a gente não reza, a gente xinga! Em dias de chuva a gente odeia. Em dias de chuva a gente vive com vontade de morrer platonicamente. Em dias de chuva a gente briga com o melhor amigo. Em dias de chuva a gente come aquela bolacha murcha que estava aposentando no fundo da gaveta do escritório.

Tic, tic, tic. Ping. Ping. Ping. Tac, tac, tac. Ping. Ploft. Bum

E a chuva intemperizou meu coração poeta. E a chuva desconfigurou minha alma menina. E a chuva apodreceu o bolinho de chuva da minha avó!